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DESEMPREGO
EMOCIONAL
Nelson Moschetti(*)
O homem dos dias
atuais não trabalha apenas para sua subsistência,
mas para sustentar caprichos e tecnologias criadas
para facilitar a vida em sociedade. Mas administrar
tudo isso passa a ser um grande problema quando,
sem trabalho, a fonte de renda seca e toda a parafernália
moderna torna-se quase inacessível. Se perder
o emprego é ruim, revelar a nova situação à família
pode ser ainda pior.
A dificuldade financeira transforma-se em papel
coadjuvante diante do constrangimento da perda
do status social. E se o cargo ocupado era muito
importante, a vergonha pode levar a atitudes extremas
para encobrir o problema e mascarar a realidade.
Com medo do julgamento, alguns mantêm a rotina
de horários para evitar contar a verdade. Passar
o dia em shopping centers, cinemas e parques é
uma opção para aqueles que preferem viver uma
farsa a encarar a real condição.
Como se não bastasse a batalha para conseguir
outra ocupação, um degredo comportamental passa
a existir entre desempregado e sociedade. Está
em jogo a capacidade, força de vontade, currículo
e objetivos do novo candidato. O sentimento de
impotência quando se está fora do mercado de trabalho
atrapalha não só o aspecto psicológico, como suas
relações interpessoais. De uma hora para outra,
o desempregado perde o sobrenome institucional:
Fulano de tal, da empresa x. O isolamento é uma
conseqüência muito provável. E, com ele, a dificuldade
de recolocação torna-se evidente.
O que fazer então? Em síntese, refletir, agir
e aprender, considerando que o desemprego pode
excluir a pessoa do convívio social, mas também
pode ser a hora certa de investir no crescimento
pessoal e profissional. É o momento perfeito para
buscar a reciclagem por meio de cursos, ou até
mesmo de tomar a decisão de mudar de ambiente
profissional, se a satisfação e a realização não
forem mais as mesmas do início de carreira. Enfim,
é o instante para olhar para dentro e procurar
ali as respostas que irão direcionar o caminho
a seguir.
Essa também é uma ótima fase para estreitar os
laços familiares – seja com os filhos ou com o
companheiro – na tentativa de recuperar o tempo
perdido em reuniões e horas extras deixadas no
escritório. Fazer a lição de casa com as crianças,
ir ao parque, cuidar do corpo, relaxar a mente,
diminuir o ritmo podem ser bons impulsores para
a solução do problema. O desespero nem sempre
é bom conselheiro e o tempo é o melhor remédio.
Só não podemos deixar esse tempo passar em vão,
esperando Godot.
A melhor solução diante do estresse do desemprego
é o positivismo. Ver com bons olhos a demissão
pode render bons momentos em família, com os amigos,
trazer benefícios ao corpo e à mente. Esse conjunto
de fatores permite construir a tão almejada qualidade
de vida. Cria também condições emocionais mais
favoráveis para uma boa empregabilidade, podendo
significar uma nova colocação ou uma outra carreira,
como empresário, consultor e profissional autônomo.
(*)Nelson Moschetti
é Diretor de Recursos Humanos da RCS Auditoria
e Consultoria
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