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HORA E A VEZ DA CAÇA
(*)Daniel Magno Baptista
Durante o final dos
anos 80 e boa parte dos anos 90, ganhou força
na Bahia a figura do “Headhunter”, aquele profissional
que buscava encontrar os melhores profissionais
para as posições chaves das empresas. O momento
era propício para a proliferação de mais um neologismo,
já que estávamos sob a égide do “downsizing”,
“reengineering”, “outsourcing”, “core business”,
dentre outros. Aos mais desavisados o nome lembrava
título de filme de Arnold Schwazenegger ou Harrison
Ford, bem no estilo “Blade Runner”.
Enquanto o departamento
de pessoal por um lado dava baixas em carteiras
de trabalho aos montes, principalmente pela eliminação
de funções operacionais e terceirização de atividades
ditas “não essenciais”, do outro lado as empresas
estavam buscando super-homens para atenderem suas
novas e emergentes necessidades estratégicas de
competitividade global. Bingo! Recrutadores de
pessoal transformaram-se da noite para o dia em
“caçadores de talentos”, escudados em metodologia
convencional com rótulo de “top secret”. Começa
aí a ditadura do caçador, com mais de 10 anos
subjugando a caça, aterrorizando o rebanho e vendendo
caro sua carne.
Pois bem, agora é
a hora e a vez da caça. Os processos de ajustes
nas empresas estão se esgotando e todo centro
de decisões foi deslocado para as matrizes no
Rio ou em São Paulo, inclusive algumas grandes
empresas tradicionais da Bahia. Houve um downgrade
no quadro gerencial baiano, fazendo com que verdadeiros
talentos tenham migrado para outras regiões do
país ou redirecionado suas carreiras. Da mesma
maneira, os chamados "headhunters" vão
lentamente redirecionando suas atuações para outras
áreas ou retornando à função de recrutadores de
técnicos e especialistas.
Mais do que nunca,
agora é a vez da caça. Durante anos vivendo da
passividade do emprego, da submissão aos “dengos”
dos tais agentes recrutadores e acabrunhados com
o próprio desconhecimento do mercado de trabalho,
surgem os novos profissionais do século 21, qualificados,
polivalentes, seguros, independentes e prontos
para deixarem de ser platéia para assumirem o
posto de atores principais no teatro da carreira
profissional. Esta nova casta de profissionais
surge dos escombros dos anos 80 e 90, tomando
suas carreiras como patrimônio profissional inalienável
e banindo definitivamente os caçadores da savana.
Sem caçadores, a caça prolifera e assume o controle
do território.
E assim, os velhos
e tradicionais caçadores, ante a abundância e
dominância da caça, vão perdendo seu valor no
mundo animal e descendo alguns degraus na cadeia
alimentar. Assim também vão os tempos do “headhunter”,
cuja extinção é marcada pela nova maneira com
que os profissionais tem encarado suas carreiras,
cada vez mais impressas com uma marca personalizada.
(*) Daniel Magno
Baptista é sócio diretor da Maxxima
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