| OUTPLACEMENT
(*) Daniel Magno Baptista
Outplacement tem
sido uma das ferramentas de gestão empresarial
mais bem sucedidas dos últimos anos no Brasil,
principalmente no final dos anos 90, quando as
grandes corporações decidiram realizar profundos
ajustes em seus modelos e estruturas organizacionais
e precisavam de instrumentos viabilizassem a continuidade
de carreira de vários profissionais. Em muito
pouco tempo excelentes profissionais se defrontaram
com a dura realidade de perceber que aquela carreira
promissora, segura e duradoura simplesmente não
mais existia. E, pouco tempo depois, as empresas
também se deram conta que apenas criar “pacotes
financeiros” compensadores não era suficiente
para minorar as perdas gerais com a demissão.
O verdadeiro conceito
de outplacement traz embutido em seu desenho um
amplo programa apoio e suporte à transição de
carreira e não apenas uma promessa de “recolocação
profissional” no mercado formal de trabalho, cada
vez mais competitivo e contaminado pela excessiva
“juniorização”, fenômeno recente provocado pela
rapidez e diversidade do aprendizado.
O que mais define
o outplacement é sua abrangência conceitual e
seu poder transformador. Os profissionais que
tem seu emprego eliminado precisam de um determinado
período de tempo para analisar tudo que aconteceu,
“catar os cacos”, validar suas principais competências,
apurar seus objetivos pessoais e determinar novos
interesses de carreira. Todo este processo deve
ser acompanhado por um profissional especializado
e fortemente amparado em uma metodologia de trabalho
que potencialize o aprendizado e gere um novo
comportamento do profissional em relação à sua
carreira. É o que chamamos de reposicionamento
estratégico, o grande objetivo dos programas de
outplacement eficazes.
Atualmente já encontramos
variados tipos de programas de outplacement no
mercado, tanto para suportar pessoal de alta e
média gerência quanto para pessoal de apoio e
operacional, sem, no entanto perder de vista o
objetivo principal de suportar e apoiar a nova
fase de carreira de quem está sendo desligado.
Um modelo que tem sido bastante solicitado é o
workshop, onde grupos de até 15 profissionais
têm a oportunidade de aprender a elaborar um currículo
de resultados, criar um projeto pessoal de busca
de oportunidades, inventariar sua rede de relacionamentos,
exercitar entrevistas simuladas, entender o novo
mercado de trabalho, aprender sobre estratégias
de empregabilidade e etc. Tudo isto de maneira
bastante vivencial, prática e expositiva.
Para ocupantes de
posições gerencias o tempo médio de um programa
de outplacement é de seis meses, com reuniões
semanais ou quinzenais para assessorar o profissional
na elaboração de seu projeto de transição de carreira.
Algumas empresas especializadas, inclusive na
Bahia, já disponibilizam até uma pequena estrutura
de escritório com fax, computador e secretária
para permitir ao executivo mais privacidade em
seu trabalho de contatos com o mercado de trabalho.
Vale lembrar que
outplacement é um programa que faz parte de uma
estratégia empresarial de gestão de recursos humanos
e que os custos são integralmente arcados pelas
empresas. Os programas existentes no mercado que
são pagos pelo próprio profissional tem nomenclatura
diferenciada, podendo ser chamados de Planejamento
de Carreira, Desenvolvimento Pessoal, Coaching,
Transição de carreira e etc.
Vantagens
para as empresas:
Reforço institucional
na imagem do empregador na comunidade e entre
os próprios colaboradores;
Redução de potenciais
riscos trabalhistas;
Diminuição da tensão
e da natural desmobilização entre os que ficam;
Incluir os custos
dentro de uma possível pauta de negociação sindical;
Praticar a filosofia
de responsabilidade social;
Fortalecer as políticas
de RH como diferencial competitivo;
Deduzir de parte
das despesas no Imposto de Renda.
Vantagens para os
profissionais:
Suporte especializado
para atenuar o impacto da demissão e assessorá-los
nas decisões futuras;
Dispor de metodologia
eficaz e de resultados comprovados;
Oportunidade para
repensar a carreira e rever os rumos da vida pessoal;
Orientações técnicas
quanto à elaboração de currículos, preparação
para entrevistas, contatos com o mercado, networking,
negociação de remuneração, abertura de negócio
e etc;
Autoconhecimento.
Perceber e valorizar suas melhores habilidades
e competências;
Criar um plano de
ação de curto e médio prazo inteiramente focado
nos novos objetivos de carreira;
Estimular novos
padrões de atitudes e comportamentos;
(*) Daniel Magno Baptista é sócio diretor da Maxxima
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