SUA CARREIRA EM SUAS MÃOS.
Daniel Magno Baptista*

A profunda revolução no mercado de trabalho mundial, iniciada no final dos anos 80, nos deixou um legado de ensinamentos de como seria a relação de profissionais com seus empregadores e com suas carreiras no século seguinte. Em muito pouco tempo, o mito do emprego seguro e com possibilidades contínuas de crescimento profissional deu lugar à dura realidade de relações de trabalho efêmeras e voláteis, a começar pela massificação da remuneração variável individualizada como conceito fundamental dos novos modelos de gestão de negócios.

Gerentes, coordenadores, técnicos, especialistas e supervisores passaram a ter os mesmos ‘privilégios’ de diretores e acionistas, tratados como verdadeiros empreendedores e recompensados pelas suas contribuições efetivas aos resultados. Esse novo perfil profissional passou a ser reverenciado em livros, palestras e seminários. Telefones celulares, computadores pessoais e laptops foram distribuídos irrestritamente para esses novos parceiros empresariais da economia moderna. Acrescente-se um carro do ano, uma linha telefônica (banda larga, claro.) e um cartão de visitas estilizado e teremos um representante regional trabalhando com escritório virtual.

Líderes, gestores, consultores internos e outras infinidades de rótulos foram grampeados nos crachás funcionais. Até o horário flexível foi ressuscitado, só que às avessas, com um aumento generoso de carga horária de 8 para 12 horas diárias. Parabéns, agora você faz parte do mundo globalizado! Como não há mal que sempre dure e bem que nunca acabe, conforme o adágio popular, essa filosofia de gestão empresarial tem gerado ótimos frutos para as empresas e para alguns poucos ‘alpinistas organizacionais’, profissionais do tipo ‘off road’, que sobrevivem e vencem diante das mais adversas condições.

Entretanto, a maioria tem dificuldades de adaptação às incertezas do negócio, perfil profissional incompatível com as competências exigidas pelos desafios multifuncionais e, ainda por cima, disponibiliza excessivamente boa parte de seu tempo pessoal ao negócio, numa estratégia de sobrevivência suicida. Agem assim porque precisam do emprego e não porque realmente gostem do que fazem ou sentem-se desafiados pelas metas e recompensas estabelecidas. São presas fáceis; figurantes de um filme em andamento, nas mãos de um diretor ávido por cortar despesas. E, se esse filme for concluído, serão os primeiros a morrer, de forma indiscriminada, imperceptível e sorrateira. Um detalhe: Até o vilão vai chegar ao final do filme!

Portanto, não seja parte dos planos de outros e comece a pensar em planejar sua carreira. Não importa em que estágio você se encontre, idade ou até mesmo as supostas garantias que seu emprego lhe oferece. Se você está bem, ótimo, planeje sua carreira para ficar melhor ainda. Se você está insatisfeito, faça o mesmo, redirecionando sua carreira para algo que lhe proporcione maior prazer, satisfação e recompensas. Planejar a carreira significa estabelecer um projeto de vida para os próximos cinco anos e comprometer-se com ele, buscando ajuda externa e recursos que lhe permitam executar seu plano de ação. A princípio é extremamente fácil planejar uma carreira, não fosse a nossa falta de intimidade na conjugação do verbo planejar. Infelizmente, não temos a cultura do planejamento e sequer poupamos, para termos mais tranqüilidade na aposentadoria, como assim agem profissionais de outros países. O máximo que conseguimos é planejar o próximo final de semana e, mesmo assim, sujeito a mudanças de última hora. Pense que o plano de carreira é um plano de vôo capaz de lhe ajudar a descobrir para você quer ir, quando e a que velocidade.

Finalmente, gostaria de aconselhar a todos os profissionais do mercado: empregados, profissionais liberais, pequenos empresários, e tantos outros, a dedicarem um pouco mais do pouco tempo que ainda lhes resta para planejamento do que se deve fazer daqui a cinco anos ou mais. Por sermos acomodados, freqüentemente somos pegos de surpresa pelo imprevisto, e aí então decidimos reagir, mas o placar já está 1X0 para ‘eles’, restando apenas o segundo tempo para virar o jogo. Resumindo, o melhor momento de exercitar previsões e construir ações do que fará daqui a cinco anos é exatamente nos momentos de bonança. Na tempestade não se vê dois metros à frente!

*Sócio diretor da MAXXIMA GESTÃO DE CARREIRAS

Membro da ACPI, Association of Career Professionals International, que reúne profissionais especializados em gestão de carreiras, transição & outplacement, assessment,  retenção e consultoria. Membro do International Coach Federation formada por profissionais que realizam coaching para empresas e pessoas físicas.
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